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As mais recentes previsões anuais sobre as principais tendências para tecnologia corporativa sempre colocaram computação em nuvem, virtualização, colaboração e business intelligence (BI) no topo das listas. O que muitos rankings não traduziram, no entanto, é que todas essas tecnologias e conceitos estão intimamente ligados a outra tendência dominante: a mobilidade. Cresce a necessidade de acesso às aplicações corporativas de maior sucesso, por meio de dispositivos móveis.
Criar uma estratégia de mobilidade é um desafio recente e uma tarefa complexa, razão pela qual ainda inexista uma corporação completamente madura neste uso. Mas aderir parece inevitável. Os profissionais, plenamente adaptados aos seus smartphones e tablets pessoais, querem agora tirar vantagem dos equipamentos para os negócios. A SAP estima em 4% a penetração de aplicações móveis desse tipo nas corporações clientes e espera chegar a 40% até o final de 2012. A empresa calcula que existam 35 milhões de usuários de smartphones interagindo de alguma forma com sistemas SAP via celular. Nesse caso, os números também são ambiciosos, com o objetivo de chegar a 1 bilhão de pessoas acessando SAP via dispositivos móveis até 2015.
Segundo o analista de telecomunicações da IDC Brasil, João Paulo Bruder, os players mais desenvolvidos desse setor foram os que aproveitaram a oportunidade de criar sistemas que servem de ponte entre os aplicativos corporativos e os sistemas de mobilidade já existentes. Ainda assim, o que essas empresas fazem é o básico, ou não chegam a configurar um diferencial competitivo para quem adota", opina.
Pedro Bicudo, sócio da TGT Consult, concorda que há poucas aplicações capazes de proporcionar retorno concreto aos processos de negócio. Segundo o analista, as funções de localização e contexto, pelo que oferecem tanto em termos de benefícios quanto de segurança, podem ser as grandes vedetes. "Além disso, as aplicações de análise em tempo real e preditivas podem trazer reais ganhos de competitividade para as empresas."
Os grandes fornecedores globais, contudo, já buscam alinhar estratégias e não poupam com aquisições para completar ofertas. O mercado está muito pulverizado, com fornecedores que atendem processos muito específicos, o que leva a crer em uma futura onda de fusões nesse segmento.
Um dos casos mais emblemáticos foi a compra da Sybase pela SAP, empresas que já tinham parcerias estreitas na área de mobilidade e que, juntas, estão tentando criar um ecossistema de canais e desenvolvedores para transportar as funcionalidades de aplicações corporativas complexas para o ambiente móvel.
De acordo com o diretor da área de business objects da SAP Brasil, André Petroucic, a empresa trabalha em duas frentes. A primeira é relacionada a fluxos corriqueiros de trabalho e a relatórios gerenciais, ou seja, o transporte do BI (Business Intelligence) para dentro dos dispositivos móveis. Na segunda frente, estão as aplicações de missão crítica. "Nesse caso, trata-se de transformar o aparelho portátil no próprio desktop, já que a ideia é permitir a interação a distância com processos-chaves da companhia."
O fato é que os players globais ainda estão em fase de formulação de diretrizes. E quem saiu na frente no transporte de aplicações tradicionais para o ambiente móvel foram fornecedores locais, com foco nessa atividade. No Brasil, a Navita conseguiu construir uma reputação baseada em atuação com os equipamentos BlackBerry, da Rim, o único dos grandes fabricantes de dispositivos portáteis com ênfase corporativa.
Agora que tem uma posição consolidada na área, a Navita quer aproveitar o crescimento da demanda por mobilidade para atuar em outras plataformas de hardware. O alvo continuará sendo smartphones e especificamente em aplicativos, mas, agora, a ideia é criar soluções para iPhone, Android, Symbiam, Samsung, entre outros. "É inevitável realizar essa abertura; a demanda vem dos próprios clientes", afirma o diretor-executivo da Navita, Roberto Dariva.
O executivo lembra que o conceito de mobilidade já tem dez anos, e o que muda, no momento atual, é que deixa de ser visto como exclusividade de pessoas em campo, como forças de venda. O grande responsável pelo ponto de virada, na opinião dele, é a necessidade de mobilidade interna, especialmente, durante reuniões e deslocamentos dentro da empresa, além do avanço do trabalho colaborativo.
Atendendo apenas smartphones BlackBerry, a Navita conseguiu um crescimento de 180% em 2009, e tem previsão de fechar 2010 com 120%. Parte desse crescimento resulta de aquisições, o que mostra a disposição de ser um dos atores principais no processo de consolidação de companhias. A expansão internacional também está no radar, com operações em andamento no Chile, no México e na Argentina. A intenção, diz Dariva, é marcar presença global e se preparar para quando esses mercados realmente decolarem.
Na teoria, a estratégia de todas as empresas que anunciaram soluções de mobilidade faz bastante sentido, mas aquelas mais tradicionais na área de ERP, com ampla base de clientes, são as que enfrentarão as maiores dificuldades para atender às novas plataformas. De um modo geral, o que se vê é que os usuários querem suas aplicações corporativas cada vez mais com acesso móvel.
O problema é que os líderes de TI ainda estão longe da maturidade nessa área e os fornecedores, também. A maioria deles está entrando em uma fase de entender melhor as necessidades corporativas, para, então, partir para a criação de soluções e produtos dedicados e sob medida para a demanda. Acompanhar a evolução desse cenário, das soluções no mercado e conseguir integrar, aos poucos, ferramentas de mobilidade que sejam interessantes para o negócio é um desafio grande dos líderes de tecnologia, resume Bicudo. "O mercado ainda está muito longe de ter soluções completas. Atualmente, todos os fornecedores sonham em aparecer com algum tipo de solução abrangente e 'matadora', como foi o modelo de ERP. Mas o que foi lançado até agora está distante de ser essa solução."
Por Rodrigo Afonso - 26 de outubro de 2010 - Computerworld
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